A referência mais antiga encontrada da prática da laringologia é um desenho encontrado nas tumbas médicas na planície de Saqqara, Egito, de aproximadamente 3600 anos a.C.. A figura parece retratar uma traqueostomia.

Um dos primeiros relatos escritos de tratamentos e cirurgias na laringe data da Macedônia. Historiadores relatam uma traqueostomia feita pelo próprio Alexandre, o Grande, que salvou a vida de um soldado agonizante com um golpe com a ponta de sua espada na região descrita por Aristóteles como "moinho de vento", provavelmente a cartilagem cricóide.

Os médicos egípcios foram os precursores das cirurgias nasais. Eles utilizavam instrumentos para a remoção do cérebro através do nariz como parte do processo de mumificação.

O primeiro relato na literatura médica mundial de exame nasal data do sexto século antes de Cristo, no documento hindu "Suchruta-samhita" em que é descrito um especulo nasal tubular, confeccionado com bambu, além de tonsilectomias e cirurgias para remoção de pólipos nasais.

O primeiro livro dedicado inteiramente à descrição das técnicas cirúrgicas para rinoplastia foi publicado em 1597 sob o título "Tratado sobre a Rinoplastia". O autor era Gaspare Tagliacozzi, professor da Universidade de Bolonha, que tinha vasta experiência no assunto, propondo novas técnicas para rotação de retalhos sobre a pirâmide nasal.

Em 1901, Hirschmann utilizou um endoscópio modificado para inspeção do seio maxilar. O brasileiro Ermiro Estevam de Lima tornou-se conhecido internacionalmente pelo acesso transmaxilar aos seios etmoidal e esfenoidal, para o qual criou a cureta que leva seu nome. A via cirúrgica citada passou desde logo a ser conhecido mundialmente como "Operação de Ermiro de Lima". Ele também foi o fundador da Sociedade Brasileira de Rinologia, em 1974, que teve entre seus primeiros sócios Roberto Machado Neves Pinto e Sérgio de Paula Santos. Em 1912, Harvey Cushing iniciou o acesso transesfenoidal na neurocirurgia. Cirurgias para acesso aos seios frontal e etmóide também foram descritas por Lynch em Nova Orleans em 1921.

Em um dos documentos científicos mais antigos conhecidos, os papiros de Ébers do Egito, há descrições de ferimentos de batalha em ossos temporais e como estes afetavam a audição e fala. Na farmacopéia egípcia, de aproximadamente 1500 a.C., há um capítulo intitulado: "Medicamentos para o ouvido com audição fraca", onde são encontrados tratamentos para zumbidos, tonturas e hipoacusia.

Atribui-se a Astley Cooper, em 1801, a realização da primeira miringotomia, na tentativa de curar uma surdez em conseqüência da oclusão da trompa de Eustáquio.

Dienffenbach, em 1845, fez referência à tentativa de correção de orelha de abano com o fechamento do ângulo entre a concha e a mastóide, por meio de ressecção elíptica da pele na região retroauricular.
A Otorrinolaringologia tem história muito rica, com importantes colaboradores e figuras de renome para a história da medicina. A especialidade foi uma das primeiras a utilizar anestesia local para realização de procedimentos, pioneira em tratamentos com próteses que recuperavam a audição e teve a primazia na utilização de microscópios e endoscópios em cirurgias.

Poucas especialidades médicas sofreram tantas mudanças e desenvolvimentos científicos nestas últimas décadas quanto a Otorrinolaringologia que teve a vantagem de incorporar tecnologias na endoscopia, radiologia, microcirurgia e uso da informática.
 
Fonte: Nogueira Junior J. F. et al, Breve história da otorrinolaringologia: otologia, laringologia e rinologia-Rev. Bras. Otorrinolaringol. vol.73 no.5 São Paulo Sept./Oct. 2007.