A palavra grega “plásticos”, que significa “modelar, dar forma”, dando nome à especialidade de Cirurgia Plástica, aplicou-se somente 2600 anos depois que manuscritos egípcios e hindus descreveram reconstruções de nariz, orelhas e lábios, quando usaram inclusive técnicas de retalhos e enxertos de pele.

Uma das primeiras publicações a referir o termo “plástica” foi em 1818 em Rhinoplastik, artigo publicado por Von Graefe, “refinado” cirurgião alemão. Embora a especialidade tenha surgido do trabalho de cirurgiões de todas as especialidades cirúrgicas, foi no segmento facial que os procedimentos começaram a identificá-la, tendo-se os médicos otorrinolaringologistas como os mais citados na convergência dos fatores que culminaram com o seu surgimento.

No meio hospitalar, a história refere a um hospital militar de Washington a criação de Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, tendo como cirurgiões oftalmologistas e otorrinolaringologistas. Como estava afeito a esses especialistas o tratamento dos lesionados de guerra, autoridades militares designaram o respectivo diretor como Chefe do Departamento de “Cirurgia Plástica”, fato que contribuiu para a designação de uma nova especialidade.

A mais significativa participação dos otorrinolaringologistas no surgimento da Cirurgia Plástica foi dada por Gillies, otorrinolaringologista neozelandês, que inclusive escreveu em 1920 “Cirurgia Plástica da Face”, cuja obra o distingue como o “pai da moderna Cirurgia Plástica”.

Os procedimentos de cirurgia plástica facial, assim designados, estão, pois, naturalmente inseridos no contexto da otorrinolaringologia. Sendo esta especialidade uma das mais amplas, tendo a otologia, bucofaringolaringologia e cirurgia de cabeça e pescoço, rinossinusologia, otorrinolaringologia pediátrica, cirurgia craniofacial e base de crânio, além da cirurgia plástica facial, cada qual com respectivos profissionais, concentrando nestas subáreas suas atividades acadêmicas e assistenciais. Foi ainda nos Estados Unidos que desenvolveu-se como área de atuação e identidade própria a Cirurgia Plástica e Reconstrutora da Face, ensejando o surgimento em 1964 da American Academy of Facial Plastic and Reconstructive Surgery.

No Brasil sucedeu-se um caminho similar, com cirurgiões realizando procedimentos designados de “plástica”. Sendo estes procedimentos mais localizados no segmento craniofacial, os cirurgiões mais vinculados foram inicialmente os “oftalmo-otorrinolaringologistas”, no cotidiano conhecidos como “médicos de cabeça”.
 
Fonte: Academia Brasileira de Cirurgia Plástica da Face